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domingo, 6 de março de 2011

Mamonas Assassinas

Aproveitando que essa semana fez 15 anos da morte da banda Mamonas Assassinas, publico aqui um texto que recebi na lista de e-mails da Pastoral da Juventude (PJ). Muitos dos/as que estão no Pré-Loyola, eram crianças quando os Mamonas fizeram sucesso, porém mesmo assim com certeza a maioria já ouviu alguma música deles. O texto a seguir faz uma análise bastante interessante a respeito das músicas e dessa banda que se tornou mito e a banda que mais vendeu, na história da discografia, com um disco de estréia (1.200.000 cds). O mesto texto está publicado também no meu blog (http://jardelsantana.blogspot.com).


“Os Mamonas Assassinos”
Ainda está presente em nossas cabeças o modelo irreverente de um grupo musical que contestava todos os costumes do mundo moderno. Trata-se do Mamonas assassinas. Vejamos sua contestação e desejo de mudança.
Nem acabaram eles de agradecer a “Santos Dumont, que inventou o avião”,
um acidente aéreo sepulta abruptamente a banda, surgida do anonimato e em vertiginosa ascensão no espaço da música popular brasileira. Quase dois milhões de discos vendidos em tempo relâmpago e a multidão de crianças e jovens chorando o repentino desaparecer dos ídolos testemunham o sucesso e a popularidade.
A mídia exerceu, sem dúvida, um papel relevante na produção desse fenômeno meteórico. Mas, para além dessa explicação óbvia, quase lugar-comum,
que sempre responsabiliza os meios de comunicação, em especial a TV,
pelos acontecimentos massivos de nossos dias, é necessário suscitar uma questão de fundo, mui pouco refletida, que pergunta pelo motivo da enorme aceitação e desse misto de delírio coletivo e rebeldia, que contagiou a massa receptora da música dos Mamonas.
A pergunta nos leva a indagar sobre o homem, o tempo hodierno e uma possível filosofia do sujeito humano, no limiar do milênio, quiçá escondida e propositadamente abafada sob a frenética aparência dos rapazes de Guarulhos.
“Eu queria um apartamento no Guarujá.
Mas o melhor que eu consegui
foi um barraco no Itaquá.
Eu sou cagado, veja só como é:
se dá uma chuva de Xuxa
no meu colo cai Pelé.
É como aquele ditado que dizia:
Pau que nasce torto, mija fora da bacia”

Utopia, o primeiro nome da banda, foi logo abandonado. Fato casual?
Utopia era palavra muito acariciada pelo “revolucionários” das décadas de 60-80. Indicava caminhos de libertação, crença em ideais hoje tidos como inatingíveis:
justiça, bondade, beleza pura. A pós-modernidade instaura uma deconstrução desses temas. Ouçamos, de passagem, uma estrofe de “Cabeça de Bagre II”.
“A polícia é a justiça de um mundo cão.
Mês de agosto sempre tem vacinação.
Na política, o futuro de um país,
cale a boca e tire o dedo do meu nariz”.
Valores de um tempo já passado, dito moderno, não atraem mais o homem
pós-moderno. Elenco alguns, retomando o filósofo Derrida, um dos “inventores” da pós-modernidade: Deus, Ser, Sujeito, Consciência, Estado, Revolução, Família.
Também as grandes filosofias explicativas do Homem e do Universo caíram de moda. Textos salvacionistas, de libertação numa vida futura ou presente, ecoam no vazio.
Vagar incerto, sem rumo, verdadeiro “walking in the dark”— andando no escuro — (letra de “Débil Mental”), o cosmo um jogo indefinido: eis a sensação do homem nessa derrocada de valores. Várias letras do CD apontam esse vazio da existência:
“Subiu a serra me deixou no Boqueirão.
Arrombou meu coração depois desapareceu.
Fiquei na merda nas areias do destino”.
Em vez do planejamento produtivo e distributivo, impera, no sistema vigente,
a tecnociência dirigida para o consumo em massa, para o lucro sem nenhuma perspectiva social. Estrofes irreverentes e espetaculares denunciam essa doidice:
“Mas pior de todas é a minha mulher.
Tudo o que ela olha, a desgraçada quer:
Televisão, microondas, micro system,
microscópio, limpa-vidro, limpa-chifre,
facas ginsu...
Ambervision, frigi-diet.
Celular, Master-line, camisinha,
Camisola e Kamikase.
Em “Pelados em Santos”, aparece o mesmo tema:
“Na Brasília amarela com roda gaúcha
ela não quis entrar.
Feijão com jabá
a desgraçada não quer compartilhar”.

E, ainda, em “Chopis Center”:
“Quanta gente
quanta alegria.
A minha felicidade é um crediário
nas Casas Bahia”.

O homem pós-moderno privilegia temas considerados marginais na vela modernidade. O primeiro e mais explosivo, o sexo-prazer-desordem, que corre solto, desenfreado, desvairado. É a “suruba” da música Vira-Vira, na qual a mulher, Maria, sempre sai “arregaçada”, arrebentada, mas o homem, Manoel, sempre pretende dar a volta por cima e levar vantagem: “Oh Maria, essa suruba me excita” Mas declara: “Dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar”. De novo, o sexo desenfreado em Robocop Gay:
“O meu andar é erótico,
com movimentos atômicos,
sou amante robótico
com direito a replay”.
Mais forte, ainda, em Bois don’t cry:
“Sou um corno apaixonado.
Sei que já fui chifrado,
mas o que vale é tesão”.
O jogo, a superficialidade, a banalidade, o quotidiano, o pragmatismo do agora, a vida vivida só no instante presente, o flutuar das experiências, sem nenhuma perspectiva de futuro, são marcas fundas do pós-moderno. Os mamonas também vão nessa: “Ser corno ou não ser eis a minha indagação”.
Ou então em “Uma Arlinda mulher”:
“Você foi agora a coisa mais importante
que já me aconteceu neste momento
em toda a minha vida.
Um paradoxo do pretérito imperfeito
complexo com a teoria da relatividade”.
Que gostosa e infantil banalidade explode em “Sabão crá-crá”, uma das músicas mais cantadas pelas crianças. Até mesmo o pluralismo, a diversidade das formas, a transitoriedade do homem-hoje não escaparam nas letras do CD: “Hoje eu estou tão eufórico,
com mil pedaços biônicos. Ontem eu era católico, ai, hoje eu sou gay!!!
Você pode ser gótico
ser punk ou skinhead
tem gay que é Muhamed
tentando camuflar...”
Loucura e insensatez perfilam a humanidade neste fim de milênio.
"Cabeça de bagre" retrata com muita ironia essa situação:
"Loucura, insensatez,
estado inevitável
embalagem de iogurte inviolável".

Conformismo, pessimismo, passividade, ausência de força moral.
O homem pós-moderno não enxerga nenhum horizonte. Notei tudo isso em quase todas as letras dos Mamonas. O som alegre e ruidoso, os gestos irreverentes,
escondem uma profunda melancolia, retrato de um mundo sem rumo.

"Fome, miséria, incompreensão,
o Brasil é tetra campeão"

"Os maconheiro tava doidão
querendo meu feijão"

"O homem é corno e cruel
mata a baleia que não chifra e é fiel"

"Hoje eu tô arrependido de ter feito migração.
Volto para casa fudido
com um monte de apelido..."

Esse pessimismo culmina com uma fantástica definição quase metafísica da mulher, que, em sua essência, aplica-se também ao homem:

"Pois pra mim você é uma besta mitológica
com cabelo pixaim parecida com a medusa"

Esta breve radiografia a brotar de uma despretensiosa análise das letras do estrondoso e supercomercializado CD permite-me concluir que o jeito e a mensagem desses garotos saídos da penumbra para uma rápida apoteose explicam o sucesso muito mais do que a montagem e a especulação da mídia. Eles cantaram e falaram ao coração da infância e da juventude tocando temas que circundam a vida hoje.
Diria eu até que a mídia, enfatizando apenas o lado irreverente,
jocoso e frenético da banda (evidentemente por motivos de marketing) acabou assassinando em proposital ostracismo a profunda filosofia presente nas letras dos Mamonas. Elas apresentam, em seus traços essenciais, o homem pós-moderno.
E, por cúmulo da fatalidade, até o jeito de morrer desses garotos, repentino e inesperado, retrata a figura do sujeito humano neste fim de século: fugidio, transitório, efêmero, como um meteoro fugaz cruzando o céu de um cosmo que ninguém sabe para onde vai.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Inscrições Abertas para o Pré-Loyola






Inscrições Abertas até 25/02 para o Pré-Vestibular comunitário, Pré-Loyola!

Como participar
Para participar do Pré-universitário Loyola, é preciso preencher os seguintes requisitos:
• ter concluído o Ensino Médio;
• ter estudado em escola pública ou ter sido bolsista;
• morar em cidade satélite ou entorno do Distrito Federal.

Documentação necessária
O/a candidato/a deve apresentar a CÓPIA E O ORIGINAL dos documentos a seguir:
• duas fotos 3X4;
• comprovante de renda familiar;
• comprovante de endereço;
• identidade;
• CPF;
• carteira de trabalho (se possuir);
• título de eleitor (se possuir);
• histórico escolar ou boletim escolar do 2º Grau.

*A documentação incompleta desclassificará automaticamente o/a candidato/a.



Para mais informações e imprimir a Ficha de Inscrição, acesse:
http://www.ccbnet.org.br/Programacao_EventosFormacao_Evento.aspx?IDEvento=154

domingo, 12 de dezembro de 2010

A PAZ!


Desejamos a tod@s @s estudantes, professores/as, colaboradores/as, apoiadores/as do Pré-Loyola, um ótimo final de ano.

Que possamos todos os dias de 2011 buscar a PAZ, pois sua concretização depende de cada um/a de nós. Só a alcançaremos quando comerçarmos a buscá-la e realizá-la nas relações cotidianas, nos gestos simples do dia-a-dia.

Um Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

Que em 2011 continuemos junt@s no Pré-Loyola, fortalecendo-o ainda mais!

Participem da comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=4105142
e curtam a página do Pré no Facebook: http://www.facebook.com/pages/Pre-Loyola-CCB/174331942588881?v=app_2373072738#!/pages/Pre-Loyola-CCB/174331942588881

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Depoente: ProUnista



No próximo final de semana, acontece o Exame Nacional do Ensino Médio. Mais do que mais um prova, o Enem pode se tornar a oportunidade para milhares de jovens ingressarem no Ensino Superior.

Eu lembro que quando era criança, minha mãe dizia: “meus filhos terão que ter o 2º grau (atual ensino médio)”. O sonho da dona Socorro era ter os três filhos, criados à custa de muito esforço, com o diploma do 2º grau. Há 12 anos atrás, as pessoas da minha cidade, Paranoá (periferia de Brasília), que possuíam esse diploma tinham nas mãos algo que merecia muito orgulho. Ou até mesmo uma moldura na parede da sala de estar- Estudar no Brasil sempre foi um desafio.
Mas este quadro aos poucos está mudando. Eu sou o filho do meio de três irmãos, o segundo da minha casa a cursar faculdade e o segundo de toda minha família, incluindo nessa lista tios, primos de 5º grau e até cunhados, a ingressar no ensino superior.

Sem dúvida eu e minha irmã ultrapassamos um pouco as expectativas da minha mãe. Hoje somos quase jornalistas e estamos incluídos em uma, ainda, pequena parcela de jovens que tem acesso à universidade no Brasil.

O ProUni (Programa Universidade Para Todos), que tem como forma de ingresso a prova do Enem, foi o responsável por isso. Minha irmã foi contemplada com uma bolsa de jornalismo em uma faculdade privada logo na primeira edição do programa, em 2004. Em 2007 foi a minha vez de prestar o exame e, no ano seguinte, conseguir uma bolsa pra cursar o mesmo curso em outra instituição privada.

Essa prova, sem dúvidas, mudou muito nossa vida. O jovem da periferia não tinha muita perspectiva de cursar uma faculdade e o ProUni foi quem abriu as portas pra muitos, que assim como eu, não teriam condições de bancar as mensalidades de uma faculdade.

Bom, é isso. Desejo uma ótima prova a todos.

Texto de Romário Costa

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Visita ao Centro Cultural de Brasília
Realizado pelo professo Geovane, turma vespertina e pós-loyolas.
Esposição: O Mundo Mágico de Escher.
                  Artista gráfico e ilusionista
Pós-Loyolas em atuação.
Acompanhar o caminho dos novos é a nossa missão.

Por cima da ilusão.
O profundo está no nosso olhar
Se o real nos faz parar
O irreal nos faz voar
Voar para outro lugar
Para então poder criar.

Ilusão de ótica. O real recria o mundo [im]possível que existe em nossa imaginação